quinta-feira, 18 de setembro de 2014

AS DUAS ALIANÇAS

INTRODUÇÃO

            Deus, verdadeiramente, nos ama e quer ver cumprido seu propósito onde, Ele, Jesus Cristo, o Espírito Santo, os anjos e os seres humanos, desfrutarão da vida eterna de eterno gozo. As provas do seu amor são as duas alianças que Ele fez com o homem para concretizar o seu projeto perfeito.
           Dá-se ao nome de aliança ao pacto que, segundo a Escritura, Deus fez com os homens, e que foi muitas vezes renovado. Essas alianças celebram-se a 1ª com Adão, a 2ª com Noé e dela foi sinal evidente o arco-íris (arco da aliança), a 3ª com Abrão, a 4ª a que teve Moisés por intermediário, a circuncisão por sinal e por penhor as Tábuas da Lei conservadas depois da Arca da Aliança, a 5ª  e última, a de que Jesus Cristo foi o medianeiro e que selou com o seu sangue.
         A primeira aliança chamou-se lei da natureza; a 4ª lei de rigor, a 5ª lei da graça. As designações aliança antiga e aliança nova designam, a 1ª o Mosaísmo, e a 2ª, o Cristianismo.
        Nosso objetivo é buscar explanar um pouco sobre cada aliança, apresentando diversos versículos bíblicos que revelam todo o cuidado de Deus em concretizar a comunhão eterna.

  

ALIANÇA - CONCEITO

            A palavra aliança significa: ato ou efeito de aliar (-se). Pacto de amizade e cooperação. Apesar de que a palavra não é usada em certas traduções, os termos originais berith, gesher, nuah, hãthan são traduzidos variadamente como pacto, afinidade, confederação.
           Pacto é a convenção entre duas ou mais pessoas. Acordo, ajuste, tratado, Constituição.
          No hebraico, aliança ou conserto são designados pelo termo berith, o estabelecimento de uma aliança é referido pela expressão Kãrath berith. No grego, o vocábulo é diantheke, e o verbo correspondente é diatithemi.


ALIANÇAS DO VELHO TESTAMENTO

I - No Éden com Adão

            De uma forma implícita encontramos em Gn 2:15-17 Deus promovendo um pacto de obediência com Adão, onde Ele proveria todas as coisas segundo a necessidade humana, no entanto, era mister que o homem o obedecesse, ficando longe da árvore do conhecimento do bem e do mal. Em Gn. 3:14/21 Deus promete o Messias à humanidade, onde não seria imposta nenhuma exigência, mas iria sofrer as consequências do pecado até a vinda do Messias.

II - Aliança pré-diluviana com Noé

            A primeira menção sobre aliança (heb. berïth) encontra-se em Gn 6:18, onde Deus faz referência ao pacto noaico pré-diluviano. Nessa breve referência já temos uma indicação do que seja uma aliança. Deus anuncia a Noé que estabeleceria com ele Sua aliança. Trata-se de uma concessão soberana de graça por parte de Deus e a segurança da aliança se origina na ação de Deus. é uma aliança estabelecida por Deus, onde Noé teria algumas obrigações. Ele e sua família deveriam entrar na arca trazendo consigo número especificado de animais, aves e répteis (Gn. 6;18b-21). Dessa maneira não haveria conflito entre a administração soberana da graça e a obrigação resultante.
          Em Gn. 9:1-17, encontra-se registrada a passagem que nos mostra qual seja a natureza essencial de uma aliança na linguagem bíblica, onde fica claro o fato de que não tem a menor ligação com qualquer noção de contrato ou acordo entre duas partes, segundo entendemos modernamente. As características dessa aliança são:
         
         a) Foi concebida e estabelecida pelo próprio Deus.
         b) Tinha um objetivo universal: incluía não apenas Noé mas a sua descendência toda e todas as criaturas vivas. Este objetivo demonstra que a graça proporcionada não depende da compreensão inteligente ou da resposta favorável por parte dos benefícios.
       c) Era incondicional, pois nenhum mandamento ou exigência foi adicionado que pudesse ser considerado como condição para a recepção da graça em questão.
      d) Não existia contribuição humana cuja exigências  fossem cumpridas as suas promessas. O arco-íris nas nuvens tem o propósito exclusivo de demonstrar a fidelidade de Deus.
      e) A aliança era eterna. Nenhuma incerteza ou mutabilidade, naturalmente, pode estar envolvida nessa promessa incondicional de Deus.


III - Aliança com Abraão

            No capítulo 15 de Gênesis, podemos acompanhar a narrativa da Aliança que Deus fez com Abraão. a confirmação da aliança tem cinco partes:

          1) Deus relembra a Abraão a sua fidelidade no passado (v.7);
          2) Deus lhe dá um sinal como confirmação da aliança (v.8-12);
          3) Deus especifica a provisão que daria por meio da aliança (vs. 13-16);
          4) Deus ratifica a aliança com uma aparição divina (v. 17);
          5) Deus concluía aliança com uma promessa incondicional (v. 18).

          Em Gn. 15:9, encontramos a solicitação de Deus ao homem, no que se refere à oferenda de animais. Os animais tinham duplo significado. Seu papel era o de constituir o sacrifício que acompanhava o compromisso da aliança no Antigo Testamento. Além disso, o animal tomava o lugar da pessoa que oferecia o sacrifício, a qual, por sua vez, submetia-se a cumprir a aliança, a fim de que um destino semelhante não lhe sobreviesse, caso a aliança fosse violada.
           As alianças noaica nos proveem o conceito de dispensação soberana da parte de Deus. Quando estudamos a aliança abraâmica não encontramos qualquer alteração dessa definição básica. No entanto, verificamos novas características:

a) Características Genéricas:

          Foram dadas certas promessas.  As três promessas expressamente mencionadas em conexão com essa aliança são: a posse da terra de Canaã, a multiplicação da descendência de Abraão e a promessa de que Deus seria Deus tanto dele como de sua descendência (Gn. 12:3; cf At. 3:25). A confirmação da aliança é dada por meio de uma sanção irrevogável em seu importe (Gn. 15:9-17). Estas características indicam que a aliança em foco foi divinamente traçada, administrada, confirmada e executada.

b) Características Específicas:

         Suas promessas têm um caráter específico, em sua intenção e efeito elas são salvadoras, centralizadas na promessa de que Deus seria o Deus de Abrão e de sua descendência (Gn. 17:7-8). Quanto ao seu alcance, essas aliança era particular a tal ponto que o próprio Ismael ficava excluído (Gn. 17:18-21). Todas as nações haveriam de ser abençoadas no descendente de Abraão. E as demais promessas da aliança, visto que estão intimamente ligadas com essa promessa particular, devem ser reputadas como promessas garantidas pela mesma sanção. Neste caso, a necessidade de ser fiel à aliança recai sobre Abraão e sua descendência (gn. 17: 10-14). A pessoa que não cumprisse suas exigências, assim rompendo o pacto, seria cortada do meio do povo.
       A ênfase posta sobre o caráter unilateral da aliança como dispensação graciosa da parte de Deus e a obrigação que recai sobre os homens, os quais devem observar a aliança, talvez pareça uma situação incomparável.  Consideração cuidadosa, entretanto, mostra que esses dois aspectos são complementares. No pacto abraâmico encontramos graça no mais alto nível que contempla o vértice da relação espiritual. Quanto maior a graça, mais acentuada se torna a soberania da concessão. Semelhantemente, porém, quanto maior a graça e quanto mais íntima a relação, tanto mais intensificadas se tornam as exigências da relação.

IV - A Aliança Mosaica

            Esta aliança foi firmada com Israel como povo que foi soberanamente escolhido (Ex. 2:25; Dt 4:37) em amor, para ser redimido e adotado. Os elementos desta proposição e a evidência em apoio de cada elemento deveriam ser observadas. A aliança foi estabelecida com um povo redimido (Ex. 6:6-8; 15:13; Dt. 8:8) Israel fora adotado em uma relação filial para com Deus (Ex. 4:22, 23; Dt.7:5).
           De igual significação para a interpretação da aliança mosaica reveste-se o fato de que foi estabelecida com Israel em seguimento e cumprimento da aliança abraâmica (Ex. 2:24; 3:16 e Sl. 105:8-12, 42-45).
          O elemento que tem influenciado os intérpretes a ver a aliança mosaica em termos legalísticos é o fato de que a necessidade de observar a aliança recebe tanta proeminência em conexão com a dispensação da aliança e que o povo entrou num solene compromisso. Afirmando que seria obediente (Ex. 19:5-6; 24-7-8). Mas, diversas considerações demonstram que a exigência de obediência e a guarda da aliança não situam a aliança mosaica numa categoria diferente e não a tornam uma aliança condicionada por obras.
         A necessidade de observar a aliança é tão evidente no pacto abraâmico como no mosaico (Gn. 17:9-14; 18:18-19). Se essa condição interfere com o caráter gracioso da aliança mosaica, segue-se que deve ter tido o mesmo efeito sobre o pacto abraâmico.
      Visto que a aliança contempla uma relação não menos íntima que a de ser o povo adotado por Deus, então é inconcebível que as exigências da santidade de Deus não tivessem de ser expressas como princípios orientadores e reguladores desta comunhão como condição para o gozo continuado de seus privilégios.
       A santidade era um aspecto integral da benção do pacto, Israel havia sido redimido para ser um povo santo, isto é, separado para o Senhor. A santidade concretamente ilustrada por meio da obediência, era o meio através do qual a relação de pacto continuava a proporcionar suas bênçãos e se estendia até sua fruição. Tanto negativa como positivamente, esse é o ponto central de Lv. 26.
       É um equívoco ler Ex. 19:5-6; 24-7-8, como se o estabelecimento da aliança tivesse de esperar até ser feita a promessa de obediência por parte do povo. A observância da aliança e a obediência à voz de Deus já tornam possível conceber-se a aliança como em vigor, em operação, como prova de que já havia certa relação. O que é condicionado à obediência é fruição das bênçãos inclusas no pacto. A exigência de obediência, no pacto mosaico, é idêntica, em princípio, à exigência existente  no novo pacto. Os crentes não continuam na graça que a aliança dispensa independentemente de perseverança e obediência. Essas são de fato bênçãos do novo pacto, são porém, também o meio pelo qual o favor da aliança e a comunhão prosseguem a´te sua fruição consumidora (Rm11:22, Cl 1:23; Hb 3:6,14; I Pe 1:5). A falha em considerar a exigência de obediência do pacto mosaico como em princípio idêntica à mesma exigência que existe sob o Evangelho resulta de um falso conceito a respeito das relações de lei e graça na nova aliança.


V - Aliança Davídica

            Esta aliança é enunciada em passagem tais como Sl. 89:3,4,26-37; 132:11-18. Embora o termo aliança não seja empregado em II Sm 7:12-17, torna-se evidente, das outras passagens relevantes, que esse foi o anúncio básico feito a Davi quanto à dita aliança. Essas referências demonstram que nenhuma administração de aliança expressa de modo mais claro o conceito de dispensação soberana da graça. Suas principais características são a segurança, a determinação e a imutabilidade das promessas feitas (Sl. 89:3; II Sm. 23:5) secreta (Dt 29:18), como nação de Israel.
          A aliança davídica é messiânica em seu sentido final (Is. 42:1,6; 42:1-6; Lc 1:32,33; At. 2:30-36). A característica mais notável das passagens em Isaías é que o Servo do Senhor é atribuído o papel de ser um pacto com o povo. O próprio Messias é o pacto, visto que as bênçãos e provisões da aliança de Deus com o povo de Deus estão de tal modo ligados ao Messias que em Si mesmo Ele é a materialização dessas bênçãos e da presença do Senhor entre Seus povo, que essa aliança propicia.


NOVO TESTAMENTO - JESUS A NOVA ALIANÇA

            Esta é a aliança da plenitude dos tempos, da consumação das épocas (Gl 4:4; Hb. 9:26), sendo, por esse mesmo motivo, a aliança eterna (Hb. 13:20; 12:28). é eterna não como propósito de negar a perpetuidade que pertence essencialmente à graça pactual exemplificada nos pactos mais antigos, mas em visto do fato de levar essa graça à sua mais completa exibição e outorga; é a relação pactual com Deus no maior grau de realização. É eterna porque não será substituídas por qualquer outra mais completa realização daquilo que a graça pactual inclui. O pacto mosaico não tornou nula a aliança abraâmica; ele foi uma adição e não uma suspensão, uma adição subserviente aos interesses da promessa que encontrava seu ponto focal no descendente que haveria de vir.
            Quando Jesus disse que Seu sangue era o sangue da aliança, derramado para remissão de pecados, e que o cálice da última Ceia era a nova aliança para remissão de pecados, e que o cálice da última Ceia era a nova aliança em Seu sangue (Mt 26:28; Mc 14:24; Lc 22:20; I Co 11:25), temos de considerar a nova aliança como algo que se refere à graça assegurada e à relação estabelecida pelo sangue por Cristo derramado. Esta aliança é a soma total

       

         





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